A presente edição da Gryphus traz diversas novidades: fala do nascimento do samba amaxixado, quando Cartola tinha cerca de oito anos, apresenta o Centro Cultural Cartola e os enredos que a Mangueira já desfilou, desde 1929. Fala, também, do samba como hoje o entendemos, nascido da laicização da música dos cultos afro-brasileiros do Rio de Janeiro. Em linguagem popular, isso significa letra profana em ponto de macumba. A transformação foi acontecendo nas primeiras décadas do século XX, mas o gênero se fixou como samba mesmo quando Angenor de Oliveira atingia a maioridade.
Relata, ainda, o momento em que Cartola e Zica levaram o samba da Mangueira para a rua da Carioca, abrindo o Zicartola no centro da cidade. Enquanto isso, nos apartamentos da Zona Sul, nascia a bossa-nova. Esse novo “jeito” de cantar e tocar samba, ao mesmo tempo que o tornava mais palatável para as classes média e alta e lhe abria espaço junto ao consumidor norte-americano, gerou, durante décadas, uma postura preconceituosa com relação ao samba tradicional, que passou a ser considerado diversão da Zona Norte. Daí a divisão: enquanto um grupo de músicos era convidado para shows nos Estados Unidos, outro perdia os espaços de trabalho. Cartola pertencia a este grupo.
O Mestre Cartola, contudo, deixou sua marca no samba, na música popular brasileira. Todo o sentimento, toda a magia que o sambista provoca estão por inteiro neste livro de Marília T. Barboza e Arthur de Oliveira Filho.
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