“Em águas profundas – criatividade e meditação, o consagrado diretor David Lynch discorre ao longo de 204 páginas (em capítulos curtos, alguns no formato de pílulas) as influências da prática da meditação transcendental em sua vida e obra. O autor do clássico “Veludo Azul” tornou-se adepto da prática na década de 70, ao se aproximar do movimento espiritual criado pelo guru indiano Maharishi Mahesh Yogi, que teve sua primeira onda de popularidade nos anos 60 graças à divulgação de simpatizantes célebres como os Beatles, Mia Farrow e Donovan.
O livro – escrito na primeira pessoa e em tom autobiográfico – conta justamente como a meditação se tornou essencial para o exercício da criatividade do artista, tanto no cinema quanto na pintura.
O diretor fala do envolvimento com o cinema e a pintura e como a linguagem desconexa de seus filmes e de suas telas está intrinsecamente ligada à prática da meditação. O cineasta expõe, ainda, suas idéias sobre a sétima arte e sobre a pintura e a maneira como as duas formas de expressão artística estão relacionadas em seu trabalho
As impressões pessoais de seus filmes são também recorrentes no livro. Sobre seu primeiro longa-metragem, Lynch afirma: “Eraserhead é o meu filme mais espiritual. Ninguém entende quando digo isso, mas é verdade”. “Dune” é avaliado como sua maior frustração: “Para mim, Dune foi um baita fracasso. Eu sabia que teria problemas quando concordei em não fazer a edição final. Minha esperança é que desse certo, mas não deu. Lamentavelmente, o resultado final não ficou como eu esperava”.
Sobre a série “Twin Peaks”, Lynch fala da surpresa de ter o projeto piloto aprovado: “Não sei por que a emissora deixou que Twin Peaks se tornasse um piloto. Mas quando permitem que alguma coisa se torne piloto, isso não quer dizer que vão transformá-la em seriado (...) De qualquer forma, meu piloto obteve uma boa pontuação, embora não espetacular, mas a verdade é que teve um público enorme na noite de estréia. Foi a sorte grande”.
Opiniões sobre o vídeo digital, o futuro do cinema, a função da manipulação da luz nos filmes, escalação de elenco, a paixão por Los Angeles, os cineastas de sua preferência (Billy Wilder, Fellini, Hitchcock e Stanley Kubrick), drogas e religião completam a narrativa, que busca elucidar a mente de um dos mais instigantes cineastas da atualidade. |