O livro reúne crônicas com reflexões sobre a política, o poder, o jornalismo e o comportamento humano. O autor não pretendeu escrever suas memórias, mas sim relatar episódios – alguns de interesse histórico – de que participou no Rio de Janeiro e Espírito Santo, onde viveu parte de sua vida e construiu uma sólida carreira empresarial.
É curioso descobrir como se fazia amigos e como se desfazia uma amizade no seleto Grupo da Bossa Nova, nos anos 50 e 60. Ou como representantes do Poder Público e da iniciativa privada se comportam quando lhes convém fraudar licitações sob seu julgamento. Há um sabor especial nas narrativas de viagem, nas surpresas que reserva um convés de navio àquele que decide explorar a Europa e ainda nos duros anos voluntariamente dedicados à cavalaria por um filho de Governador e Senador da República, representante de família tradicional capixaba.
As crônicas são autônomas, mas alguns assuntos são desdobrados para não cansar o leitor. Ao narrar a implantação da TV Gazeta, em Vitória, capital do Espírito Santo, o autor optou por escrever três separadas, cada uma abordando um enfoque diferente.
Além disso, Cariê Lindenberg fala com nostalgia e graça de sua frustrada carreira de cantor – ele conviveu com Silvinha Teles, Newton Mendonça, Menescal, Tom Jobim e outros gigantes da Bossa Nova – e descreve situações incomuns, reais, hilariantes, conta piadas. Em alguns momentos ele foi carinhosamente sarcástico com seus colegas jornalistas e consigo próprio: não poupou problemas pessoais, narrando em minúcias, ainda que a pretexto de oferecer exemplos úteis.
São muitas crônicas – 51 – mas não parece. Este é um livro que você começa a ler e não pára, até chegar à última página. E volta para conferir algumas delas, especialmente as que te fazem lembrar os movimentados anos 50, época do Brasil se modernizando, da construção da nova capital, Brasília, e do Governo Juscelino.
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